quarta-feira, 14 de maio de 2014

Barras de Ouro que valem mais do que Dinheiro


Quem nunca ouviu essa frase dita pelo ilustríssimo Sílvio Santos (SS) no Sistema Brasileiro de Televisão?

Embora tenha uma cara de propaganda enganosa, barras de ouro valem sim mais do que dinheiro. Mas por quê?

A resposta reside no valor que as pessoas atribuem ao ouro, pois este sempre foi considerado uma reserva segura de dinheiro, tanto é que temos expressões cotidianas que remontam a ideia do valor do metal: "mina de ouro".

Durante as diversas crises econômicas mundiais, sempre que acontece algum momento de grande instabilidade ou medo, as pessoas se refugiam no ouro devido ao seu valor intrínseco, pois muitos governos mantem reservas de ouro como lastro de algumas operações. De certo modo, a pessoa compra um seguro contra a volatilidade da moeda.

"Certo, em miúdos, o que quer dizer?!"

O ouro tende a valorizar durante crises econômicas e ter uma rápida desvalorização nos anos seguintes após a crise. O belo metal dourado, assim como muitas outras coisas, é cotado em bolsa, então tem seu valor estipulado pelo mercado. Além disso, historicamente falando o ouro sempre tem uma valorização superior a da inflação, o que o torna uma reserva de dinheiro bastante interessante.

Certo, então o ouro na verdade vale mais do que dinheiro, por uma questão de não estar atrelado diretamente a inflação e possuir um histórico contínuo de ganho sobre as desvalorizações da moeda. Então, qual vantagem que SS tem em dar ele de prêmio às pessoas?

Explicarei com o auxílio do gráfico abaixo:

Gold Chart

Este é um gráfico de ouro, com cotações de ouro em gramas de maio/99 até o dia de hoje.

O gráfico mostra uma curva muito bonita para quem comprou ouro em 99, pois considerando a cotação de hoje R\$ 93,00 e o preço do ouro em 99, R\$19,00, temos um ganho 4,89 vezes. A inflação no período foi de 143% aproximadamente, o que equivaleria a dizer que os R\$19,00 de 1999 são equivalentes a pouco mais de R$ 46,30...

Portanto, temos uma rentabilidade real (acima da inflação) de R\$46,70 por grama de ouro. Parece pouco? Que tal um exemplo para ilustrar?

Vamos imaginar que alguém tenha comprado uma barra de ouro de 1 kg, em 1999, por uma bagatela de R\$19.000,00 (equivalente a um carro zero naquele tempo), teria vendido esta mesma barra hoje a R\$93.040,00, se tivesse aplicado em algo que tem um rendimento próximo ao da inflação, teria algo próximo de R\$46.300,00... Uma singela diferença de R\$46.740,00. Um ganho de mais de 100% sobre a inflação, algo como aproximadamente 6% de rendimento real, ou se considerarmos a inflação do período, algo como 13% brutos. Claro, se considerarmos a nossa grande sócia, a Receita Federal, teremos que pagar R$ 14.800,00 de IR. Mesmo assim teríamos uma ganho significativo sobre a inflação.

E qual a vantagem do Silvio então? Comprar as barras de ouro dos prêmios alguns anos antes e as manter. Por exemplo, se ele tivesse comprado 1 milhão de reais em ouro em 2010, hoje ele teria algo como algo próximo de R\$1.340.000,00, em suma, ele paga o milhão ao ganhador e ainda mantem consigo uma reserva em ouro. Além disso, é uma boa para o ganhador do prêmio, que receberá um ativo que no longo prazo é muito bom.
"Então investir em ouro é uma boa!"
Poderíamos concluir que sim. Mas na realidade, o ouro é considerado uma reserva de capital, afinal ele não produz resultados, fica ali parado se valorizando. Embora tenha um rendimento muito alto, existem aplicações melhores (naturalmente mais arriscadas). Um ponto negativo para investimento em ouro, no mercado à vista, são os altos valores necessários para negociação. Neste link existem algumas explicações sobre como aplicar em ouro na BM&F Bovespa.

E para finalizar o post, algumas considerações:

  • Durante os últimos anos, temos acompanhado diversos momentos de economia tensa, um deles fica muito evidente no gráfico quando a cotação do ouro supera bate os R\$ 115,00/g e logo em seguida despenca para os atuais R$ 93,00. Esse fenômeno indica a saída de investidores em suas posições de ouro para outros ativos, quando um clima de confiança volta a se formar.
  • Percebam que nos momentos de crise, 2008-2009 e 2011-2012, o ouro tem uma valorização rápida e ascendente, esse tipo de movimento corrobora para algumas ideias de que mesmo quando mercado está "ruim" é possível fazer bons negócios.