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domingo, 11 de maio de 2014

De onde vem o seu dinheiro?

Tomando agora um viés menos contábil e mais econômico do blog, falarei hoje sobre de onde vem o seu dinheiro. Talvez muitos fiquem surpresos ou impressionados.

Bem, para começar esse assunto, acho interessante falar sobre a Europa de alguns séculos atrás...

Naquele tempo, as pessoas faziam suas negociações usando ouro ou prata, compravam bens com o uso destes metais preciosos. Só que esse método de pagamento apresenta alguns problemas: comprar grandes bens (imóveis, navios, animais) exigia carregar grandes quantidade de ouro, o que por sua vez era bastante incômodo e altamente inseguro.

Como solução, as fundições de ouro aceitavam guardar o ouro de depositantes (inclusive pagavam-os por isso) e davam a estes recibos de papel atestando a propriedade do ouro, rapidamente as pessoas começaram a usar estes recibos como forma de pagamento, originando assim o papel moeda.
Depois que este modo cômodo de comprar e vender foi criado, as pessoas pararam de ir resgatar seus depósitos em ouro, fazendo-os com uma menor frequência e as fundições deram-se de conta que podiam emprestar o dinheiro depositado, emitindo mais recibos de ouro sem ter aquele valor em seus cofres.

Fantástico não?! Ou seja, se o fundidor recebesse um depósito de \$500 em ouro, ele emitia dois recibos de \$500, um para o depositante e outro para um tomador de empréstimo. 
Agora voltando ao nosso tempo atual, esse método de criação de dinheiro não mudou muito desde aquele tempo, só hoje existe um nome bonito para isso: Reserva Fracionária.

E o que é a Reserva Fracionária? É um percentual que representa o quanto de cada depósito tem ser mantido no banco a fim de garantir o suprimento de dinheiro, no caso do Brasil (não consegui confirmar a informação) é de 38%, ou seja a cada R\$100 depositado em um banco R\$38,00 ficam em posse dele. O restante, R\$62,00, é emprestado. E caso o tomador deste empréstimo deposite o dinheiro novamente 38% deste valor ficam como depósito no novo banco (R\$23,56) e o resto R\$38,44 é emprestado outra vez esta sucessão de depósitos e empréstimos acontece até atingirmos o valor de 2,63157 vezes o depósito original (1/0.38), que representa o Multiplicador monetário.
Interessante, quer dizer então que o banco cria dinheiro? E não tem garantia nenhuma, ele simplesmente cria?
É, é isso mesmo, simplesmente cria! Sem nenhum lastro, nem garantias nem nada. 
Então quer dizer que os bancos podem criar dinheiro infinito?!
Não, também não é assim. A reserva fracionária é determinada pelo Banco Central, assim como a quantidade de dinheiro em circulação! Em suma, o Banco Central cria o dinheiro baseado, por exemplo, em depósitos de ouro, títulos do governo federal e permite que os bancos emprestem uma quantidade 2,63157 vezes maior do que o dinheiro lastreado, entretanto cada vez que ocorre um saque, a quantidade de dinheiro disponível para os bancos é reduzido no valor do saque, ou seja, se você sacar R\$1000,00 do banco, os bancos deverão reduzir o total de empréstimos em R\$2631,57.

Bem, e a pergunta mais lógica a se fazer agora é: "E se todos sacarem seu dinheiro?! O que acontece?".

Insolvência dos bancos, eles não teriam como te pagar, indo a falência. Esse fenômeno se chama "Corrida aos bancos", este fato acontece quando as pessoas acreditam que os bancos não terão como devolver seu dinheiroo e então, para evitar que fiquem sem, vão até o banco sacar e quando chegam lá percebem que todos tiveram a mesma ideia e o que mais temiam acontece: o banco não tem mesmo como pagar. É uma profecia autorrealizável. Este problema aconteceu nos EUA em 1907 e gerou um grande caos na economia.
Como solução, o governo juntamente com os bancos criaram a figura dos Bancos Centrais, que é considerado o Emprestador de Última Instância (particularmente prefiro o termo em inglês, Lender of Last Resort)que na eventualidade de uma corrida aos bancos forneceria essa quantidade de dinheiro as pessoas que querem seus resgates.

Inclusive esta é uma maneira de levar a falência o atual sistema financeiro, incentivar todos a sacarem seu dinheiro nos bancos (uma corrida aos bancos) e logo em seguida depositar todo o dinheiro de volta, causando uma inflação monstruosa ao longo do país e ocasionando um caos generalizado. Mas, felizmente, isso não acontecerá pois as pessoas são boas e legais com o governo e os bancos não tem a menor ideia de como um banco funciona.

"Ignorância é uma Benção"
Ao menos para o sistema financeiro... 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Inflação o que é?

O temível dragão! Ou o dragão brasileiro como alguns já falaram tempos atrás, está de volta? Não, talvez, sim?!
Bem, o que é inflação? Acho que neste ponto muitos brasileiros já vivenciaram uma inflação elevada e persistente, muitos podem não saber a definição de inflação, mas sabem o que ela significa na prática.
Durante a década de 80 (principalmente), o Brasil vivenciou valores de inflação absurdos com trocas de planos econômicos e moedas que jamais se vira antes.


Mas, para início de conversa, é importante destacar que dinheiro tem valor no tempo, não me refiro ao ditado: "Tempo é dinheiro" e sim que seu valor muda conforme o tempo passa, ou seja, o dinheiro que você tem hoje pode comprar mais ou menos de uma certa coisa no futuro. Para evitar dúvidas, ilustrarei com um exemplo:

Suponha que em um determinado momento você com R\$10,00 é capaz de comprar 10 kg de batatas, isso significa que o quilograma da batata custa R\$1,00. Agora imagine que após o período de um ano, a inflação medida para a batata foi de 10%, isso significa dizer que o quilograma do tubérculo agora custa R\$1,10 e que com seus antigos R\$10,00 você compraria apenas 9,09 kg de batata.

Em termos práticos, quando há inflação seu dinheiro perde valor, o exemplo da batata mostra como nosso poder de compra diminui ao final de um ano, ou seja, você compra menos com o mesmo dinheiro.
A título de organização financeira, quando nos referimos à inflação, estamos sugerindo a desvalorização do dinheiro, ou seja, R\$10,00 após um ano com inflação a 10%, significa que você tem R\$9,00.
É comum vermos as pessoas falarem sobre como as coisas eram baratas antes e como tudo ficou tão caro, mas na verdade a única coisa que ocorreu foi o efeito da inflação, uma taxa que representa o quanto seu poder de compra foi limitado de um ano a outro.


Em um próximo post, irei explicar por que existe inflação.

domingo, 4 de maio de 2014

O engatinhar


Falar sobre o que gosta é algo bastante trivial, afinal o tema não é novidade, suas ideias já estão bem estruturadas em sua mente e diversas opiniões já estão consolidadas, contudo no momento em que deseja passar um pouco do que sabe para o papel ... Branco, a dificuldade emerge das profundezas de seu emaranhado de ideias perdidas e aquilo que você acha que sabe, perde-se ao colocar-se em palavras, buscar um significado para tudo o que se quer falar pode ser um pouco ruim no início, mas com o exercício contínuo e a prática, este problema é rapidamente superado.

E por que raios estou ponderando sobre isso? É meu primeiro post e tenho que destacar como é complexo escrever ao invés de se falar. Sempre gostei de economia, acho uma ciência fantástica: a maneira com que descreve o comportamento de sociedades, as tendências naturais de mercado, as relações entre indivíduos, tudo é muito interessante, mas duas coisas em relação a esta ciência intrigam-me, a primeira é em relação a presença dela no nosso dia-a-dia e a segunda a maneira como muitos a ignoram.
Fui simpático ao usar o termo "ignorar", o que costumo ver é a demonização da economia, como algo que está ligado a alguém avarento ou ao capitalista sanguinário que quer explorar seus pobres e indefesos trabalhadores. E neste blog, pretendo, aos poucos, desmistificar os conceitos mais básicos e importantes de economia e por qual motivo todos deveriam sabê-los. Além disso, irei falar sobre finanças pessoais, investimentos e mercados, pois não basta saber as regras do jogo, para se divertir, tem que se jogar.